sábado, 16 de junho de 2012

Paredes


Levantei paredes tão firmes
Um brilhante trabalho de engenharia
Uma zona de segurança tão confortável
Que quase não me importo de estar preso.
Levantei paredes tão firmes
Que nem sei se é possível derrubar
Sua composição são maciços blocos
Feitos de tempo e lágrima.
Levantei certezas tão firmes
Que não estou certo se desejo continuar
Talvez tenham razão, preciso sair
Mas só Deus sabe como sinto frio lá fora

De repente deparo com uma brecha na muralha
Parecida com tantas outras que eu via
Mas a parede tornou-se muito sólida
Ao tampar essas outras que me fizeram infeliz.
Se alguém me culpar por ter construído, eu nego
Eu nem percebi como elas apareceram
Antes de vê-las eram só nuvem e chão
Apenas inconscientemente eu as levantei.

E a brecha na parede é tão iluminada e tão perigosa
Que dá vontade de abrí-la numa passagem
Mas se for frio novamente?
E se eu não conseguir voltar?

Não tenho mais lágrima
Não tenho mais tempo

E se lá for quente, o que farei?
Na vida fui esquimó

De qualquer forma me incomodará
A travessia ou a contemplação até a brecha sumir
Daqui do alto eu não desço
Mas ofereço minhas paredes se alguém quiser entrar

Quem sabe então poder derrubar as paredes
Se isso realmente for positivo
Quem sabe então poder continuar protegido
Se isso realmente não for negativo


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